Publicado em: 15/05/2018 17:03 - Atualizado em: 16/05/2018 15:26

#Caos2018: Pós-doutorando fala de sua experiência na inter-relação Psicologia-Tecnologia

Dr. Felipe de Souza é um dos mais profícuos psicólogos a se utilizar das novas tecnologias para divulgar a prática profissional


Por Sonielson Luciano de Sousa - Professor do curso de Psicologia do Ceulp e Editor do Portal (En)Cena

O psicólogo e professor Doutor Felipe Luis Melo de Souza (UFJF), que atualmente faz pós-doutorado em Mindfulness pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), será o palestrante de abertura do Caos 2018 – Congresso Acadêmico de Saberes em Psicologia. O evento ocorre no dia 22 de maio, às 9h, no auditório central do Ceulp/Ulbra.

 

 

Dr. Felipe irá falar de sua experiência pessoal com o uso de novas tecnologias para a difusão da profissão. Dono de um dos maiores sites com conteúdos de Psicologia, o Psicologia MSN (com mais de 20 milhões de acessos), Dr. Felipe também tem um canal no Youtube com mais de 50 mil inscritos. Dentre os temas abordados no Caos, o psicólogo, professor e pesquisador irá falar sobre a interface entre Psicologia e Tecnologia, Dispositivos Eletrônicos e produção de conteúdo na Psi, Questões Éticas, além da aproximação dos saberes da Academia e o público em geral.

Abaixo, confira uma entrevista concedida pelo palestrante ao Portal (En)Cena, que irá abordar estes e outros assuntos.

 

(En)Cena - O Congresso Acadêmico de Psicologia do Ceulp/Ulbra, pela primeira vez, vai falar da interface entre Psicologia e Tecnologia. Você considera que este tema já é usual na área, ou ainda estamos abordando-o de modo tímido?

Dr. Felipe Souza - Acredito que, dada a importância do tema, a abordagem ainda é tímida. As novas tecnologias modificaram extremamente o comportamento humano nas últimas décadas, permitindo mudanças significativas nas comunicações e interações entre as pessoas, na produção e disseminação de conteúdos e informações e, com as redes sociais, profundas modificações no modo como descrevemos à nós mesmos e narramos a nossa história (assim como a do outro), entre muitas outras áreas.

 

(En)Cena - Particularmente nota-se que você, como profissional de Psicologia, faz bom uso das tecnologias/redes/dispositivos para divulgar seus trabalhos. O que fazer para que os novos profissionais percebam o papel positivo deste panorama?

Dr. Felipe Souza - A produção de conteúdo, até pouco tempo atrás, era restrita aos meios de comunicação e às grandes editoras. Com as inovações da tecnologia, hoje podemos criar e enviar conteúdos do nosso consultório ou casa para o mundo. É uma possibilidade incrível que muitos profissionais não enxergam. Antigamente a divulgação de nosso trabalho na psicologia consistia em cartões de visita, lista telefônica e propaganda boca-a-boca. Hoje, investindo muito pouco, com um celular comum conseguimos gravar vídeos, por exemplo, e ter uma audiência enorme, não só no curto prazo, mas também depois de anos. As possibilidades devem ser aproveitadas.

 

(En)Cena - É possível ser eficaz na condução de um processo terapêutico à distância, com o uso/mediação de dispositivos eletrônicos/digitais?

Dr. Felipe Souza - O Conselho Federal de Psicologia regulamentou apenas a Orientação Psicológica Online e, em resolução, impede que o profissional da psicologia use o termo terapia ou processo terapêutico. Entretanto, embora a Orientação Online seja pontual - no máximo 20 sessões, é possível sim realizar um excelente trabalho.

 

(En)Cena - Percebe-se que você tem ampla formação acadêmica, inclusive com um pós-doutoramento em curso na Unifesp. Ao mesmo tempo é bem próximo do público a partir do uso de redes sociais eletrônicas, por exemplo. Esta é uma saída para que a academia e os profissionais se aproximem das pessoas?

Dr. Felipe Souza - A minha interação com o público veio de duas motivações: evidentemente, quis divulgar o meu trabalho na clínica, mas, principalmente, veio do meu senso de responsabilidade de compartilhar o que aprendi. Nunca me esqueço da fala do reitor da UFSJ na época da graduação que apontou a necessidade de contribuirmos com a sociedade de forma ampla, dado que a formação havia sido em uma Universidade Federal.

Como sempre gostei de ler e estudar, fui fazendo as formações por gosto. Só recentemente assumi o papel de professor. De certa forma, me via como um tradutor, ou seja, da linguagem rebuscada e por vezes tortuosa dos livros e artigos científicos eu transformava para uma linguagem acessível para quase todos.

Portanto, acredito sim que as redes sociais devem ser usadas cada vez mais pelos pesquisadores, como um meio para mostrar para a população a relevância das pesquisas acadêmicas, e para ampliar o conhecimento de todos.

 

(En)Cena - Como fazer bom uso destes recursos sem ferir os preceitos do Código de Ética do Psicólogo?

Dr. Felipe Souza - Não existe muita saída senão conhecer o Código e fazer uso do setor de Orientação e Fiscalização dos CRPs. Aliás, muita gente não sabe, mas o setor de Orientação ajuda muito nas dúvidas que possamos ter sobre a atuação e os seus limites.

 

(En)Cena - Qual o futuro da Psicologia, diante desta revolução tecnológica em curso, e levando-se em conta que parte da Psicologia critica o uso destes dispositivos?

Dr. Felipe Souza - Difícil prever o futuro, mas pelo que já existe (sobre o que falarei na palestra), é inevitável que os psicólogos utilizem todo o potencial das tecnologias daqui para frente. E em dois sentidos: usar a tecnologia como fonte de dados de pesquisa - como o big data por exemplo - e para a elaboração de estratégias eficazes de intervenção.

 

(En)Cena - Você fará a palestra de abertura do evento. Além destas questões, o que pretende mais abordar?

Dr. Felipe Souza - Dependendo do conceito de tecnologia, podemos dizer que o ser humano já há muitos séculos não vive sem tecnologia. Como todo instrumento, pode ser utilizado de maneira positiva ou negativa. O fato é que não há como desenvolver um bom trabalho na psicologia (seja na pesquisa, seja na atuação profissional) sem acompanhar o progresso tecnológico. É provável que uma parte da nossa atuação seja incorporada nas tecnologias atuais ou a serem desenvolvidas, mas certamente a relação de ser humano para ser humano será sempre fundamental na cura e no desenvolvimento pessoal.

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