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Apresentação

XI JORNADA de iniciação científica DO CEULP/ULBRA

CIÊNCIA E SABEDORIA POPULAR é o tema da XI JORNADA de iniciação científica do CEULP/ULBRA deste ano.

Por um lado, as universidades têm expandido o número de projetos de pesquisa e, como conseqüência, o Brasil está galgando lugar de destaque quanto a índices de produção de conhecimento em nível mundial. Isso significa que fenômenos, nas mais distintas áreas, estão sendo observados de maneira determinada, planejada e com adequados métodos por todo o território nacional. Significa também que a realidade tem sido re-conhecida pelo ponto de vista científico cujos resultados seguramente proporcionarão mais garantia em termos de qualidade de vida para a sociedade brasileira. E não poderia ser diferente, uma vez que o país melhorou os indicadores em outros relevantes âmbitos.

Por outro lado, não é difícil encontrar pessoas que ainda plantam roçados a partir da previsão do tempo de acordo com a lua, as estrelas, as nuvens; ou ainda tratam distintas doenças com mezinhas preparadas pela avó ou pela benzedeira do lugar. Como também é possível testemunhar raizeiros que, rompendo os ruídos das tecnologias contemporâneas e citadinas, inundam de vozes cadenciadas e de cheiros exóticos grandes feiras e mercados pelo Brasil a fora. Cozinheiras continuam testando misturas químicas para dar consistência a uma gastronomia peculiar, enquanto grupos e comunidades tradicionais conseguem brechas nas relações massificadas para que heranças dos antepassados possam manter-se coesas e manifestar-se.  O fato é que, construída nos entrelaces de necessidades, experiências, gestos de solidariedade e costumes das várias etnias formadoras da cultura brasileira, a sabedoria popular segue ocupando respeitados espaços no nosso país.

Diante disso, harmonia e alteridade entre conhecimentos científicos e saberes populares permitirão o equilíbrio desejado. Para isso é importante que os cientistas vejam na diversidade da cultura popular um campo vastíssimo de pesquisa científica cujos informantes são cidadãos os quais devem ser beneficiados pelas inovações. E aqueles “com saber só de experiências feito” precisam fortificar no presente os laços do passado, sem alienação. Assim, ciência e sabedoria popular estarão a serviço do desenvolvimento e da autoafirmação identitária do povo brasileiro.