Este estudo investigou os desafios bioéticos relacionados ao consentimento para doação de órgãos no contexto brasileiro, analisando sistematicamente os marcos legais vigentes e suas implicações práticas. O objetivo foi sintetizar as evidências científicas sobre autonomia individual, consentimento familiar e os conflitos éticos resultantes da legislação atual. Utilizou-se uma revisão sistemática seguindo diretrizes PRISMA, com busca nas bases de dados SciELO, PubMed e Google Scholar, cobrindo o período de 2014-2024. Os resultados revelam violações sistemáticas do princípio da autonomia individual no sistema brasileiro de consentimento familiar obrigatório, com aproximadamente 45% das famílias recusando doações mesmo quando o potencial doador havia manifestado vontade favorável. Identificaram-se disparidades regionais significativas e perdas substanciais de órgãos disponíveis. A análise comparativa internacional demonstra que países com sistema de consentimento presumido, como Espanha, alcançam taxas de doação significativamente superiores. Conclui-se pela necessidade urgente de revisão dos marcos legais atuais, com propostas de implementação de sistema híbrido que priorize a autonomia individual, acompanhado de registro nacional de vontades, campanhas educativas culturalmente adaptadas e monitoramento contínuo de impactos éticos e sociais.