Esta pesquisa realiza uma revisão sistemática da literatura com o objetivo de investigar as possibilidades de diálogo entre a Psicologia Analítica de Carl Jung e as experiências psicodélicas de uso ritualístico, com ênfase na ayahuasca. O estudo parte do pressuposto de que indivíduos que vivenciam tais experiências frequentemente chegam ao setting terapêutico relatando conteúdos complexos e inefáveis como emoções intensas, insights espirituais, emergência de arquétipos e a resolução de psicopatologias que demandam um acolhimento especializado. O objetivo central é explorar como as técnicas da clínica junguiana, como a escuta ativa e a imaginação ativa, mandalas terapêuticas e diário dos sonhos, podem oferecer um espaço seguro e ético para elaborar essas vivências transpessoais, facilitando o processo de individuação. A pesquisa buscou, especificamente, compreender como o terapeuta pode atuar para acolher o que não é facilmente comunicável, contribuindo para o autoconhecimento, a ressignificação e a promoção de saúde mental. Conclui-se que a integração entre esses campos representa uma fronteira emergente e relevante para a prática psicológica contemporânea, oferecendo novos caminhos para estimular a individuação.