Esta pesquisa aborda a música ritualística dos povos indígenas Huni Kuin durante as cerimônias xamânicas de Ayahuasca, analisando-a como uma expressão simbólica do inconsciente coletivo sob a ótica da Psicologia Analítica. O objetivo geral do estudo é compreender como essa música expressa conteúdos do inconsciente e de que forma podem ser elaborados à luz da teoria de Carl Gustav Jung. A metodologia utilizada foi a de uma pesquisa bibliográfica com formato de revisão sistemática, partindo da hipótese de que as manifestações musicais indígenas contêm elementos arquetípicos. A análise evidencia que a música Huni Kuin é um patrimônio cultural vivo, essencial para a transmissão de saberes ancestrais e para a coesão social. Nos rituais com Ayahuasca, os cantos atuam como mediadores psíquicos, permitindo a emergência de conteúdos do inconsciente e guiando as experiências visionárias, ou “mirações”. Essa prática musical, ao integrar corpo, mente e espírito, funciona como uma tecnologia espiritual que articula patrimônio cultural, resistência simbólica e saúde mental, manifestando concretamente conceitos junguianos como o rebaixamento da consciência e a imaginação ativa em um contexto coletivo.