Este relato de experiência, fundamentado em perspectivas críticas da Psicologia Social e na interseccionalidade, analisa como deficiência, orientação sexual e etarismo se entrelaçam na trajetória de uma mulher tetraplégica. A narrativa em primeira pessoa expõe como o capacitismo, a heteronormatividade e o patriarcado moldaram percepções sociais, limitam escolhas e produzem efeitos perversos de exclusão, especialmente quando múltiplos marcadores de opressão se sobrepõem. O texto discute os impactos dessas intersecções na experiência da maternidade homoafetiva, na disputa por guarda compartilhada e na vivência acadêmica, denunciando a invisibilidade de corpos dissidentes e a dessexualização das pessoas com deficiência. A interseccionalidade é utilizada como ferramenta analítica para desvelar micro e macroviolências institucionais e sociais, ao mesmo tempo em que se evidencia a agência, a resistência e a busca por autonomia. O objetivo é articular vivências autobiográficas com referenciais teóricos das ciências humanas, demonstrando como categorias sociais interdependentes moldam práticas, subjetividades e trajetórias de vida.