O objetivo deste estudo é analisar a persistência da lógica institucionalizante no acolhimento de crianças e adolescentes, construída a partir dos modelos de cuidado à população infanto juvenil desde a época da colonização, com as Santas Casas de Misericórdia e as rodas de expostos, e até a década de 1980, com os Códigos de Menores de 1927 e 1979, caracterizados pela institucionalização de crianças e adolescentes frente a extrema pobreza, como método de controle social. A partir de uma análise histórica, observa-se que, embora a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) tenha representado uma ruptura com a doutrina da situação irregular, ao consolidar a doutrina da proteção integral, ainda persistem incoerências entre a legislação e a realidade do acolhimento de crianças e adolescentes na contemporaneidade. Sendo a maioria dos acolhimentos de crianças e adolescentes em situação de pobreza, e ainda, a escassez de dados atualizados, dificultando o diagnóstico e aprimoramento das políticas públicas e o prolongamento da medida protetiva como principais desafios enfrentados. Portanto, evidencia-se que, práticas e a cultura institucionalizante continuam presentes, revelando a permanência de padrões herdados de um passado marcado por modelos de cuidado historicamente legitimados.