As redes sociais remodelaram a circulação de saberes em saúde mental, expondo usuários a conteúdos de alta difusão e acurácia variável. Este artigo examina, à luz de teorias da comunicação e da psicologia, como mecanismos algorítmicos e vieses cognitivos favorecem desinformação e autodiagnóstico. Realizamos uma revisão integrativa (2010–2025) com buscas em PsycINFO, PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science e SciELO, incluindo apenas estudos revisados por pares em português e inglês. A síntese indica que, em plataformas de vídeo curto, combinações de saliência e enquadramento com repetição, alta fluência e prova social sustentam efeitos psicológicos como illusory truth, além de mediações por nocebo e cibercondria; em paralelo, dinâmicas de câmaras de eco e algoritmos silenciadores estreitam a diversidade informacional percebida e ampliam a plausibilidade de listas inespecíficas de sintomas, favorecendo autodiagnósticos sem avaliação clínica. Discutimos implicações para prática clínica, saúde pública e desenho de intervenções baseadas em evidências – com destaque para prebunking e accuracy nudges – e apontamos lacunas relativas a estudos longitudinais, auditorias algorítmicas e validação transcultural. Propomos, por fim, uma matriz psicocomunicacional integrativa para orientar pesquisas e políticas que mitiguem autodiagnósticos indevidos, preservando o valor do apoio entre pares nos ambientes digitais.