O trabalho de escuta psicanalítica e as urgências dos sofrimentos narcísico-identitários
um estudo de caso
Resumo
O presente artigo discute os desafios do trabalho do analista no manejo clínico de pacientes que apresentam sofrimentos narcísico-identitários, tomando como base a experiência derivada de um caso clínico atendido em um Serviço-Escola de Psicologia. Tais sofrimentos, compreendidos como efeitos de falhas na simbolização primária de experiências traumáticas, tensionam os limites da técnica psicanalítica e convocam o analista a lidar com fenômenos transferenciais e contratransferenciais intensos. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa de caráter descritivo-exploratório, fundamentada em registros clínicos produzidos no contexto de atendimento psicoterapêutico individual. Os resultados evidenciam que a identificação projetiva contribui para obscurecer os limites entre paciente e analista, exigindo manejo atento do enquadre externo e do próprio enquadre interno do analista. Observou-se que dispositivos como interrupções, pontuações, uso de textos e produções poéticas do paciente favoreceram a emergência de processos de simbolização antes inviabilizados. Conclui-se que o atendimento de casos marcados pelos sofrimentos narcísico-identitários demanda do analista uma postura ativa, sensível e suficientemente continente, capaz de acolher projeções, estabelecer limites e sustentar um espaço de elaboração que favoreça a integração subjetiva.
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