O trabalho de escuta psicanalítica e as urgências dos sofrimentos narcísico-identitários

um estudo de caso

  • Caroline Borba da Silva
  • Deise Matos do Amparo
  • Pedro Martini Bonaldo Universidade de Brasília – UnB
  • Bruno Cavaignac Campus Cardoso
Palavras-chave: Sofrimentos narcísico-identitários, transferência, contratransferência, simbolização primária, caso clínico

Resumo

O presente artigo discute os desafios do trabalho do analista no manejo clínico de pacientes que apresentam sofrimentos narcísico-identitários, tomando como base a experiência derivada de um caso clínico atendido em um Serviço-Escola de Psicologia. Tais sofrimentos, compreendidos como efeitos de falhas na simbolização primária de experiências traumáticas, tensionam os limites da técnica psicanalítica e convocam o analista a lidar com fenômenos transferenciais e contratransferenciais intensos. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa de caráter descritivo-exploratório, fundamentada em registros clínicos produzidos no contexto de atendimento psicoterapêutico individual. Os resultados evidenciam que a identificação projetiva contribui para obscurecer os limites entre paciente e analista, exigindo manejo atento do enquadre externo e do próprio enquadre interno do analista. Observou-se que dispositivos como interrupções, pontuações, uso de textos e produções poéticas do paciente favoreceram a emergência de processos de simbolização antes inviabilizados. Conclui-se que o atendimento de casos marcados pelos sofrimentos narcísico-identitários demanda do analista uma postura ativa, sensível e suficientemente continente, capaz de acolher projeções, estabelecer limites e sustentar um espaço de elaboração que favoreça a integração subjetiva.

Biografia do Autor

Caroline Borba da Silva

Psicóloga formada pelo Instituto de Educação Superior de Brasília – IESB (2025), com graduação prévia em Relações Internacionais. Possui experiência nas áreas de política internacional e de psicologia, com ênfase em Psicanálise. Atua como psicóloga voluntária do projeto VIPAS - Violências e Psicopatologias na Contemporaneidade, da Universidade de Brasília (UnB), e como psicóloga clínica.

Deise Matos do Amparo

Psicóloga. Professora Associada do Departamento de Psicologia Clínica e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica e Cultura da Universidade de Brasília. Doutora em Psicologia pela Universidade de Brasília, com doutorado sanduíche pela Université Jules Verne – França. Pós-doutorado pela Université Paris V e Paris XIII. Membro da Rede Internacional de Pesquisa em Métodos Projetivos e Psicanálise (Réseau Internacional de Recherche in Méthodes Projectives et Psychanalyse), Coordenadora do Centro de Atendimento e Estudos Psicológicos - CAEP / UnB. Coordenadora e Supervisora do VIPAS - Violências e Psicopatologias na Contemporaneidade: Diagnóstico e Intervenção.

Pedro Martini Bonaldo, Universidade de Brasília – UnB

Doutor em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica e Cultura da Universidade de Brasília – UnB (2025), com etapa de Doutorado Sanduíche realizada na Universidade de Borgonha (França, 2024). Especialista em Saúde Mental pela Escola Superior de Ciências da Saúde – ESCS, por meio do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde Mental do Adulto (2016-2018). Graduado, licenciado e bacharel em Psicologia pela Universidade de Brasília – UnB (2014).

Bruno Cavaignac Campus Cardoso

Psicólogo formado pela Universidade de Brasília (2013), possui doutorado (2022) e mestrado (2015) pelo PPGPsicCC-UnB. Tem experiência na área de Psicologia, atuando, principalmente, nos temas de Psicanálise, Psicopatologia e Métodos Projetivos. Atua como supervisor do VIPAS -Violências e Psicopatologias na Contemporaneidade, psicólogo clínico e professor universitário (IESB-DF).

Publicado
2026-06-18