A festa de Dasipe no Cofo de Leitura

Por Cidinha Medina – Palmas-TO
09/09/2015 • Atualizado em 11/09/2015 14:26

No dia 18 de agosto de 2015 foi realizada mais uma edição do projeto “Cofo da Leitura”, que trabalhou elementos e significados que são representantes para os Xerente. A ação decorre da Festa da cultura do povo Xerente ou Festa de Dasipe que aconteceu em julho, na aldeia Salto Kripre. A festa revigora a cultura indígena por meio da memória dos rituais, danças, cantos, cerimoniais e corrida de tora.

 

As atividades foram mediadas pela profa. do CEULP/ULBRA, Cidinha Medina e a bolsista do curso de Educação Física, Gabriela de Carvalho. Tudo começou com uma brincadeira de balão no qual continha uma palavra de alguma parte da festa.  Ao estourar o balão, cada criança lia e comentava sobre a palavra.  E assim foi tecendo a narrativa do maior acontecimento do povo Xerente.

 

Mesmo com a toda a timidez que é peculiar das crianças indígenas, os alunos do 5º ano falaram da pintura corporal do povo Akwe  Xerente que representa os seis clãs que dividem socialmente os Xerentes: kuzâp tdêkwa, kbazi tdêkwa, krito tdêkwa, izake tdêkwa, wahirê tdêkwa e krãiprehi tdêkwa.

 

E para alegrar o clima de narração oral foi cantado “Are are are wahã/Are are are wahã/Totazi pesahã azamã tokahã/Wi pesa amrme  tokahã”.   Ao final da festa, todos se entusiasmaram ao falar da corrida de buriti, praticada pelas crianças, e a corrida de tora grande, por jovens e adultos.

 

Foram 10 dias de festa, de encontro e de celebração entre os Xerente, “antigamente a festa na aldeia era diferente de hoje, as aldeias eram mais próximas, os índios plantavam e todas as aldeias vizinhas participavam. Cada aldeia levava seus alimentos, sacos de farinha, arroz, batata, inhame, caças, e todos iam a pé. Hoje com a divisão e aumento das aldeias tem muito avanço  e facilidades,mas tem também dificuldade de ir de uma aldeia para outra. A festa consegue reunir muita gente. Ali canta ,ouve história ,assa e come batata  e peixe na fogueira, conta história, o ancião ensina, as crianças aprendem”, relata D. Iracy Xerente.

 

O Cofo da Leitura trata-se de um projeto interdisciplinar, “temos o intutito de envolver vários cursos da instituição, bem como parcerias a fim de construir esse espaço em mutirão”, relata a coordenadora da ação, Professora Mestre Cidinha Medina.

 

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