Publicado em: 05/06/2022 09:34 - Atualizado em: 08/06/2022 08:43

Dia Mundial do Meio Ambiente: Muito além de profissionais capacitados, ações em prol do meio ambiente formam multiplicadores


Por Isabela Leão - Jornalista

“Meio ambiente não são as plantas, não é a fauna, não é a flora, somos nós. Não é algo isolado, visto de maneira individual, nós fazemos parte desse sistema.” Esse é o aprendizado que a professora Conceição Previero sempre reforça em suas aulas e palestras em quase vinte anos à frente de projetos ambientais desenvolvidos no Ceulp/Ulbra.
 

Esta ideia também é tema da campanha do Dia Mundial Meio Ambiente de 2022, idealizado pelas Nações Unidas. Com o mote “Uma Só Terra”, a campanha tem como objetivo evidenciar a necessidade da relação harmoniosa com o meio ambiente, promovendo um estilo de vida menos poluente e mais verde.


E é nessa busca pela relação saudável e regenerativa com o meio ambiente que diversos projetos começaram a ser desenvolvidos no Ceulp/Ulbra. O pontapé inicial veio com a criação do projeto Terraquarium - educação e meio ambiente, em 2009.


Atualmente, a área de mata nativa preservada é fonte de desenvolvimento de práticas agrícolas regenerativas e projetos voltados para educação ambiental de crianças e jovens, além de ser utilizado também por outras Instituições de Ensino Superior como fonte de pesquisa.


Foto: Conceição Previero/Acervo Pessoal

É de lá que surgiram duas ações que produzem adubo orgânico para as plantações, tanto do Terraquarium quanto das outras áreas utilizadas pelo curso de Agronomia. O recolhimento de resíduos orgânicos não processados, como borra de café e cascas de ovos e verduras, utilizados nas copas e lanchonetes da Instituição são recolhidos pela equipe de voluntários do projeto, e transformado em adubo orgânico.


Antes da iniciativa, o pó utilizado para fazer café era jogado na pia das copas, o que chegou a acarretar problemas na tubulação da Universidade, conta Dona Neta, colaboradora da Instituição. Agora, a borra de café produzida durante o dia é alocada em um recipiente reservado apenas para essa finalidade, recolhido juntamente com os resíduos das lanchonetes, e levado ao espaço reservado no Terraquarium.


Junto com esses resíduos, a biomassa proveniente da poda de árvores também é transformada em alimento para as plantas. Desde 2018 o Ceulp/Ulbra realiza uma parceria com a Energisa, responsável pela distribuição de energia elétrica do Tocantins, e recebe o excesso de biomassa gerado pela empresa.


“Começamos a receber o material em 2017”, explica Previero, que é bióloga e Doutora em Engenharia Agrícola. “A partir do momento que soubemos que a Energisa fazia esse trabalho, nós solicitamos para receber o material. Nós tanto usamos ele para fazer compostagem, como para fazer cobertura de solo.”


Além de ações dentro do Terraquarium, os cursos da Universidade também colocam em prática suas iniciativas, cooperando para a expansão de uma visão regeneradora e que diminua o impacto ambiental da comunidade. É o caso do projeto de produção de sabão ecológico, desenvolvido pelo curso de Ciências Contábeis, e coordenado pela professora Cássia Lima.


Foto: Cássia Lima/Acervo pessoal

Em prática desde 2017, o projeto busca a partir da fabricação do sabão como uma forma de explicar na prática o que é ensinado nas disciplinas do curso, e levar educação financeira e conscientização ambiental para a comunidade. Na última ação, foram arrecadados 10 litros de óleo de cozinha que seriam descartados incorretamente, e produzidos 60 litros de sabão líquido e 50 barras de sabão.


“Eu não acho que a formação do acadêmico deve ser pautada somente nas disciplinas específicas, nos conteúdos. Ela também é pautada na formação do cidadão, nos resgates dos valores humanos”, ressalta a coordenadora do curso.


Tanto o projeto Sabão Ecológico, quanto os desenvolvidos a partir do Terraquarium não seriam possíveis sem a participação voluntária de alunos do Ceulp/Ulbra. Como conta a professora Cássia Lima, os alunos aceitam, engajam, e muitos querem participar das ações.


É o caso de Guilherme Antunes, acadêmico do curso de Agronomia. Atualmente, Guilherme é voluntário em quatro projetos, entre eles o de Vivências de educação ambiental infantil. “Conheci o trabalho que é feito através da divulgação pelas redes sociais, e por colegas de cursos que já participaram dos projetos”, conta ele. “Decidi participar para adquirir novas experiências, e também acredito que será de grande importância para meu aprendizado acadêmico.”


Foto: Conceição Previero/Acervo Pessoal

Para a pofessora Conceição Previero, a participação dos jovens é a parte mais importante desses projetos. “Se eu não tenho aqui os estudantes, eu não consigo fazer nada do que eu faço”, ela reforça.
 

Incentivar o voluntariado é garantir que as futuras gerações continuem o trabalho desenvolvido hoje.  “Eles se sentem parte do processo, podem ver o que acontece. Você põe uma semente no chão, ela germina. Você dá condições para ela, ela desenvolve. Eu tenho o mesmo olhar para eles.”
 

Os feitos dos projetos são inúmeros - entre eles, a fixação dos pássaros na área da Universidade. Antes, os animais utilizavam a mata apenas como um corredor passageiro, agora constroem ninhos e fixam moradia entre as árvores preservadas. “A gente tem muitas razões para continuar fazendo o nosso trabalho. A natureza se recompõe sozinha? Sim, mas nós também podemos contribuir. Essas diferentes mãos e olhares é que fazem o projeto continuar e acontecer”, finaliza a professora.

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