Ulbra Palmas fortalece representatividade com acervo antirracista

Iniciativa amplia acesso a obras de autores negros no ambiente acadêmico

Por Karoliny Santiago - Jornalista – Palmas-TO
15/12/2025
Acervo antirracista foi criado como busca para uma maior representatividade

Às vezes, um espaço inteiro muda de significado por causa de um livro. De uma autora. De um gesto silencioso que reorganiza não apenas as prateleiras, mas também o modo como uma comunidade olha para si, para sua história e para o mundo ao redor.

Foi assim que, nos últimos anos, a Biblioteca Martinho Lutero começou a ganhar novas vozes --- vozes que antes não eram lembradas, não eram buscadas, não eram lidas. E quando chegaram, chegaram como um chamado: a universidade precisava ouvir, registrar e garantir que esses autores tivessem lugar dentro do espaço onde o conhecimento é construído.

A bibliotecária Thaís Fernandes explica que tudo começou com uma pergunta simples, feita durante o mês da Consciência Negra: "Nos perguntaram se a biblioteca possuía obras de autores negros e negras --- e percebemos que essa representatividade não estava garantida. Para corrigir essa falha e fortalecer a luta antirracista, criamos uma lista de títulos essenciais e incorporamos essas obras ao acervo por meio do projeto Pagamento de Multa com Livro."

A iniciativa permite que alunos quitem pendências doando obras de autores negros. O impacto foi imediato: as estantes ganharam diversidade, potência e profundidade. "Essa é uma boa prática que combate o epistemicídio --- o apagamento intelectual de autores negros e negras. Agora, toda a comunidade acadêmica tem acesso a essas narrativas durante todo o ano, não apenas em novembro."

Representatividade que educa, transforma e inspira

Essa construção se reforça ainda mais quando o país celebra a chegada de Ana Maria Gonçalves à Academia Brasileira de Letras, ocupando a 33ª cadeira - a primeira mulher negra em 128 anos de história, reforçando a importância de autor(es) e suas obras ocuparem diferentes espaços.

Sua obra, Um defeito de cor, repousa nas estantes da Biblioteca Martinho Lutero como quem sabe que sempre pertenceu a esse espaço. Não chegou por acaso: chegou por escolha, por consciência, por política.

A presença da obra de Ana Maria Gonçalves --- agora imortal da ABL --- fortalece a ideia de que representatividade forma consciência, amplia repertórios e transforma modos de ver o mundo.

E no silêncio cheio de significado de uma biblioteca, cada obra antirracista incorporada ao acervo é mais do que um livro: é um gesto de reparação, política e futuro.

 

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