Parceria com a Fundação Ulbra leva saúde a comunidades indígenas no TO

Ações unem conhecimento, prática e respeito à cultura em diferentes regiões

Por Karoliny Santiago - Jornalista – Palmas-TO
24/03/2026

Muito além da sala de aula, a formação em saúde também se constrói no encontro com realidades diversas. Através de uma parceria com a Fundação ULBRA, a ULBRA Palmas, no estado do Tocantins, acadêmicos e professores vivenciem essa experiência por meio de ações em comunidades indígenas, levando atendimentos, orientação e, principalmente, aprendizados que ultrapassam o conhecimento técnico.

As iniciativas acontecem em diferentes regiões do estado e envolvem os cursos de Medicina, Enfermagem e Odontologia, fortalecendo a integração entre ensino, serviço e comunidade.

Experiência que transforma dentro e fora da universidade

Em outubro de 2025, estudantes dos cursos de Medicina e Enfermagem estiveram na Aldeia do Salto, em Tocantínia, onde realizaram atividades voltadas à saúde da criança e da família.

Para o diretor da Ulbra Medicina Palmas, Marcelo Müller, esse contato direto com a comunidade é essencial para a formação profissional. "Conhecimento aliado à prática. É assim que a Ulbra Palmas se posiciona. Nossos alunos desenvolvem ações de cuidado e orientação em saúde e, ao mesmo tempo, se formam compreendendo o papel social da profissão. Somos gratos à Fundação ULBRA por apoiar este projeto e oportunizar experiências significativas aos nossos acadêmicos", destacou.

A experiência também é marcada pelo contato intercultural. Para Seyna Ueno, a vivência vai além da técnica. "Trazer os acadêmicos para a aldeia é uma experiência muito rica, não só do ponto de vista científico, mas também intercultural e humana", afirmou.

Entre os estudantes, o impacto é imediato. A acadêmica de Medicina, Ana Luísa Leal, descreve a ação como um momento de conexão. "Está sendo uma experiência muito incrível. Esse contato direto com as pessoas, com as crianças, é algo que a gente leva para a vida", contou.

Já para a acadêmica de Enfermagem, Luana Carvalho, a vivência amplia horizontes. "Eu nunca tinha participado de uma ação assim. É uma realidade que a gente não conhecia e que traz muito aprendizado. Só gratidão", disse.

Comunidade de portas abertas

Nas aldeias, a presença dos acadêmicos também é vista como um reforço importante para o cuidado em saúde. "É um benefício para a comunidade e para a escola. Estamos de portas abertas para receber vocês novamente", afirmou Romário Srouwasde Xerente, da Aldeia do Salto.

Esse vínculo se fortalece a medida que as ações se tornam contínuas e ampliam o acesso à informação e aos serviços básicos de saúde.

Odontologia leva atendimento e educação em saúde

Outra frente importante de atuação acontece na área de Odontologia. Em outubro, a Aldeia Pedra Branca, em Itacajá, recebeu uma ação voltada à saúde bucal, com atendimentos clínicos, atividades educativas e ações lúdicas para crianças e adultos.

Além dos atendimentos, a equipe realizou levantamentos epidemiológicos utilizando índices como IHOS e CPOD, que permitem avaliar as condições de saúde bucal da população e planejar futuras intervenções. A proposta vai além do atendimento imediato: busca orientar, prevenir e criar hábitos mais saudáveis dentro das comunidades.

Em outra ação, realizada na Escola Antônio Gonçalves, estudantes participaram de atividades educativas, incluindo apresentações lúdicas, escovação supervisionada e avaliação da saúde bucal, reforçando a importância da prevenção desde a infância.

Saúde indígena exige sensibilidade e compreensão

A atuação nas comunidades também evidencia desafios e aprendizados importantes sobre a realidade da saúde indígena. Para o coordenador distrital de saúde indígena do Tocantins, Harã Javaé, a parceria com a universidade tem crescido e traz resultados positivos. "Essa aproximação tem aumentado cada vez mais, e isso é muito gratificante, porque também cresce a procura por esse atendimento", afirmou.

Já o técnico de enfermagem do DSEI, Romário Xerente, destaca a importância de compreender as especificidades culturais. "A saúde indígena tem suas particularidades, sua cultura, seus costumes. Essa aproximação permite que os estudantes entendam essa realidade, que é diferente da vivida nas cidades", explicou.

Para o cacique da Aldeia Funil, Elson Krensu Xerente, a presença das equipes faz diferença no dia a dia da comunidade. "Essa parceria é muito importante. Quando a equipe está dentro da comunidade, parece que a enfermidade fica mais distante", disse.

Aprendizado que se multiplica

As ações como essas também passaram pela Aldeia São João, em Formoso do Araguaia, onde o impacto foi percebido especialmente entre crianças e famílias. "Receber vocês é muito importante para nós e para nossas crianças", afirmou Beluanaru Karajá.

Para o egresso de Odontologia, Heitor Lira, a experiência é única. "É uma oportunidade que todo acadêmico deveria ter. É aprendizado, prática e crescimento para o futuro", destacou.

O cirurgião-dentista Thelu Javaé reforça o impacto das ações na prevenção. "Essas iniciativas ajudam a prevenir doenças e levam informação para toda a comunidade, melhorando a saúde bucal de crianças, adolescentes e adultos", explicou.

Mais do que levar atendimento, as ações mostram que formar profissionais da saúde também passa por aprender a ouvir, respeitar e compreender diferentes realidades. Entre práticas, trocas e experiências, o que se constrói vai além da formação acadêmica, é um compromisso com pessoas, culturas e com um cuidado que começa pelo olhar.

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