Mais do que conteúdo técnico, a formação na área da saúde também passa por experiências que envolvem escuta, sensibilidade e cuidado. Foi com esse propósito que acadêmicos do curso de Farmácia realizaram, na última segunda-feira (20), uma ação voltada às práticas integrativas e complementares.
O evento aconteceu no Terraquarium e reuniu estudantes do curso, além da participação de acadêmicos de Medicina e da comunidade acadêmica. Ao longo da tarde, o espaço se transformou em um ambiente de acolhimento e troca, com atividades como escalda-pés, produção de incensos, massagem terapêutica, aromaterapia, além da oferta de chá e café.
A ação foi coordenada pela professora doutora Conceição Previero e faz parte da disciplina de Práticas Integrativas e Complementares, e tendo como proposta levar para além da sala de aula conhecimentos reconhecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente aqueles ligados à fitoterapia e ao uso de plantas medicinais. "A proposta foi justamente desenvolver essas práticas de forma aplicada, envolvendo os estudantes em todo o processo. Desde a organização até a execução, há uma mobilização que vai além de uma aula tradicional, e isso, por si só, já é um processo terapêutico", destacou a professora.
Segundo ela, o próprio ambiente escolhido contribuiu para a experiência. Realizada em meio ao fragmento de Cerrado do Terraquarium, a atividade proporcionou uma vivência ao ar livre, em contato com a natureza, reforçando o propósito das práticas integrativas. "Esse contato com o ambiente natural agrega muito à proposta. Além disso, tivemos a participação de estudantes de Medicina, o que ampliou ainda mais a troca de experiências. Foi um momento de integração, relaxamento e convivência, e entendemos que o objetivo foi plenamente alcançado", completou.
Conexão que vai além da técnica
Para os acadêmicos, a experiência representa uma oportunidade de ampliar o olhar sobre a própria profissão. A estudante do quinto período de Farmácia, Emanuelle Belle, destaca que as práticas promovem uma conexão diferente com o cuidado. "É uma ação em que a gente se conecta muito com as pessoas e também entre nós. São práticas que nos permitem refletir, desacelerar e ter um momento mais leve. Diferente do foco nos fármacos, aqui a gente trabalha com o cuidado de uma forma mais ampla, envolvendo autocuidado e bem-estar", afirmou.
Ela também ressalta a importância de integrar diferentes formas de tratamento. "Quando trabalhamos com medicamentos, muitas vezes oferecemos uma solução. Aqui, a gente amplia isso, trazendo um cuidado que envolve corpo, mente e energia".
A acadêmica Clara Guidorizzi, também do quinto período, reforça que a vivência contribui para mostrar novas possibilidades dentro da área farmacêutica. "É muito gratificante trazer essa amplitude para as pessoas. A gente percebe que existem outras formas de cuidado que impactam não só a saúde física, mas também o emocional e o mental. Muitas vezes, o efeito é maior do que imaginamos", destacou.
Formação ampliada e interdisciplinar
Para a coordenadora do curso de Farmácia, Juliane Farineli, a disciplina tem um papel fundamental na formação dos acadêmicos, especialmente por abordar práticas ainda pouco exploradas durante a graduação. "As práticas integrativas fazem parte do SUS, mas nem sempre são trabalhadas na formação. Trazer isso de forma extensionista permite que o aluno tenha contato com outras possibilidades de atuação e repense o próprio papel do farmacêutico no cuidado em saúde", explicou.
Entre práticas, trocas e vivências, a ação reforça que o cuidado em saúde não se limita à técnica. Ao integrar conhecimento científico, sensibilidade e contato humano, experiências como essa ampliam a formação acadêmica e fortalecem uma visão mais completa e humanizada da profissão.

